O caso dos 400 gatos encontrados em um apartamento de Concórdia, no Oeste de Santa Catarina, apontou após um laudo técnico revelar que seis integrantes da equipe responsável pelo atendimento aos animais sofreram lesões e precisaram de atendimento ambulatorial durante os trabalhos no imóvel.
A informação consta em um relatório elaborado após vistorias realizadas nos dias 21 e 22 de maio e ajuda a dimensionar a gravidade da situação encontrada no local, que já havia se tornado alvo de investigação do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) e de uma decisão judicial para retirada dos animais.
Conforme o documento, o ambiente apresentava condições consideradas críticas, com presença de fezes espalhadas, forte odor, risco sanitário e animais em diferentes estágios de adoecimento.Receba no WhatsApp as principais notícias de Chapecó e Oeste de SC
Parte do relatório aponta que as condições são insalubres e demonstram risco ocupacional pela superpopulação dos 400 gatos em apartamentoFoto: Divulgação/ND Mais
O relatório destaca que o fato de seis profissionais terem se ferido durante a operação demonstra a existência de “risco ocupacional concreto” para as equipes envolvidas.
Ambiente insalubre e gatos doentes
O apartamento ficou conhecido após denúncias apontarem uma superpopulação de gatos. Segundo a Prefeitura de Concórdia, a situação começou há cerca de 10 anos, quando a moradora, uma idosa de 73 anos, possuía apenas um casal de felinos
Sem controle populacional, os animais passaram a se reproduzir de forma contínua. Ao longo dos anos, conforme relatos de protetores e autoridades, a tutora recusou diversas ofertas de ajuda para castração e adoção dos gatos.
Em setembro de 2025, uma contagem realizada pela Secretaria de Meio Ambiente apontou mais de 400 gatos no imóvel. Durante a vistoria mais recente, no entanto, foram contabilizados 119 animais, embora os técnicos afirmem que não foi possível determinar o número exato.
O laudo descreve gatos escondidos em móveis e cômodos, além de animais assustados e, em alguns casos, agressivos. Também foram identificados felinos com lesões graves na boca, verminoses, diarreia, emagrecimento, infestação de pulgas e piolhos, além de suspeitas de doenças transmissíveis.
Segundo entidades que acompanham o caso, alguns gatos apresentavam feridas que dificultavam até mesmo a alimentação.
Telas cortadas e redução no número de animais
Outro ponto que chamou a atenção dos técnicos foi a existência de telas de proteção aparentemente danificadas ou cortadas em janelas do imóvel.
O relatório aponta que houve redução visual da população de gatos entre diferentes inspeções, levantando dúvidas sobre o paradeiro de parte dos animais anteriormente contabilizados.
As equipes também registraram risco sanitário para moradores do entorno e para a própria tutora, em razão das condições do apartamento.
Justiça determinou dos 400 gatos em apartamento
Diante da situação, a Justiça atendeu pedido do Ministério Público e determinou a retirada gradual dos gatos.
A decisão prevê um cronograma mínimo de resgate de 25 animais por dia, priorizando os casos mais graves e os felinos em situação de maior vulnerabilidade.
Os gatos serão encaminhados para locais adequados sob responsabilidade do Município de Concórdia, onde passarão por avaliação veterinária, vacinação, tratamento médico, quarentena, microchipagem e castração antes de serem disponibilizados para adoção responsável.
Prefeitura de Concórdia, Ministério Público e a tutora dos 400 gatos em apartamento precisaram firmar um acordo para solucionar o caso da superpopulação dos felinosFoto: Divulgação/ND Mais
A decisão também autoriza o ingresso das equipes técnicas no imóvel e prevê apoio policial em caso de resistência ao cumprimento da medida.
Além da proteção dos animais, a Justiça determinou acompanhamento psicossocial da moradora, considerando indícios de vulnerabilidade e a necessidade de assistência durante o processo.
Para os órgãos envolvidos, a retirada dos gatos é considerada essencial para interromper o agravamento das condições sanitárias do imóvel e garantir atendimento adequado aos animais que ainda permanecem no local.
Fonte ND+













