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MPSC denuncia organização neonazista que atuava em três estados

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O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) apresentou à Justiça denúncia contra 14 supostos integrantes de uma organização criminosa neonazista que atuava em Santa Catarina, São Paulo e Paraná. A ação foi ajuizada pela 39ª Promotoria de Justiça da Capital no final da tarde desta segunda-feira (15/6) e ainda não foi recebida pela Justiça. Após o recebimento, os acusados passam a figurar como réus em ação penal.  

Os 14 integrantes foram denunciados por fazer parte de organização criminosa e oito deles também por racismo e apologia ao nazismo. Foram denunciados o chefe da organização – identificado pelos integrantes do grupo criminoso como o “Führer brasileiro” –, seu braço direito, uma escrivã da Polícia Civil de São Paulo e um Policial Militar paulista, que prestariam apoio dentro de suas corporações, bem como um advogado que, além de integrante, prestaria apoio jurídico e outras nove pessoas de menor expressão no grupo.  

O grupo foi investigado pela 39ª Promotoria de Justiça (com atribuição para investigar delitos envolvendo organizações criminosas) e pela 40ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital (com atuação contra crimes de racismo e intolerância), por meio da Operação Nuremberg, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), por meio do CyberGAECO.  

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Concluídas as investigações, foi constatado que os denunciados integrariam um grupo criminoso estruturado, com atuação coordenada e estabilidade ao longo do tempo, dotado de chefia definida e regras internas, voltado à prática de infrações penais relacionadas à disseminação e promoção de ideologia neonazista e intolerância racial, política, religiosa e sexual.  

Segundo a investigação, parte dos acusados teria participado ativamente da produção e difusão de conteúdos de ódio em ambientes virtuais, utilizando-se de perfis falsos e fóruns para a propagação de ideias supremacistas.  Ainda, há informações de atuação dos acusados em atos de violência física. A atuação articulada e tecnicamente estruturada do grupo evidencia um elevado grau de organização e planejamento das ações.   

Estrutura e funcionamento do grupo   

Os integrantes da suposta organização criminosa teriam se autodenominado neonazistas e adotado como símbolo o “Sol Negro”, emblema associado ao ocultismo nazista e à supremacia ariana, tendo ao centro a figura de um fuzil AK-47. O símbolo, segundo a própria interpretação do grupo, representaria a supremacia branca e a exaltação da violência, evidenciando a disposição para o uso da força como instrumento de imposição ideológica.     

As investigações identificaram uma estrutura hierarquizada, com fichas de ingresso, produção de camisetas exclusivas e cobrança de mensalidades obrigatórias aos membros oficialmente “batizados”. As contribuições financeiras seriam destinadas ao custeio de despesas internas, à aquisição de materiais de propaganda e à manutenção das atividades do grupo.  

As apurações indicaram que a organização criminosa manteria encontros presenciais regulares, nos quais debatia temas relacionados à disseminação da ideologia neonazista e ao recrutamento de novos membros. Nos encontros, também seriam planejados e organizados os denominados “rolês”, expressão utilizada pelos denunciados para designar ações coordenadas de deslocamento em grupo com a finalidade de patrulhamento de vias públicas, envolvendo identificação, perseguição e confronto com indivíduos e coletivos considerados ideologicamente antagônicos. O grupo teria, inclusive, preparado dossiês de indivíduos identificados por eles como potenciais alvos de agressões ou retaliações.   

Apurou-se, outrossim, que a organização forneceu orientações detalhadas para a adoção de medidas de segurança digital e operacional, com o propósito de dificultar a identificação dos membros, a vinculação entre os integrantes e o acesso, por autoridades, a registros de suas atividades.   

A Operação Nuremberg  

A Operação Nuremberg foi deflagrada no dia 31 de outubro de 2025 pelo GAECO do Ministério Público de Santa Catarina, por meio do CyberGAECO, em apoio a um procedimento investigatório criminal instaurado pela 40ª Promotoria de Justiça, posteriormente encaminhado à 39ª Promotoria de Justiça da Capital em razão da implementação da Vara Estadual de Organizações Criminosas.     

A operação cumpriu simultaneamente 21 mandados de busca e apreensão em quatro estados – Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Sergipe –, com apoio dos órgãos locais e cumprimento das ordens nas cidades de São Paulo/SP, Campinas/SP, Taboão da Serra/SP, Osasco/SP, São José dos Pinhais/PR, Curitiba/PR, Araucária/PR, Cocal do Sul/SC, Jaraguá do Sul/SC e Aracaju/SE. Durante as buscas foram apreendidos diversos materiais de apologia ao nazismo, além de armas brancas, faca e “soco inglês”.  

A operação recebeu o nome “Nuremberg” em alusão aos julgamentos de Nuremberg, realizados após a Segunda Guerra Mundial, que representaram um marco histórico na responsabilização de indivíduos por crimes de ódio, extremismo e intolerância. De forma simbólica, a denominação refletiu o propósito da presente ação policial, voltada ao enfrentamento de grupos extremistas que propagam ideologias violentas e atentatórias à ordem pública e ao Estado Democrático de Direito.

Fonte: 

Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC

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