
Com o objetivo de transformar previsões meteorológicas em ações práticas capazes de salvar vidas, a Federação Catarinense dos Municípios realiza, nos dias 2 e 3 de junho de 2026, o Fórum de Proteção e Defesa Civil. O encontro ocorre na Arena Multiuso Prefeito Estêner Soratto da Silva, em Tubarão, e ganha extrema relevância diante do cenário de incertezas sobre a intensidade do fenômeno El Niño no estado ao longo do ano. Mais do que debater dados técnicos e estatísticas, o evento direciona seu foco para duas frentes vitais de sobrevivência comunitária: a eficiência da comunicação de risco para a população e o estabelecimento de protocolos claros sobre o que fazer no exato momento em que um alerta climático é emitido.
A eficácia de um sistema de Defesa Civil não se encerra na leitura dos radares meteorológicos, pois depende diretamente de como o aviso chega ao cidadão. Por essa razão, um dos pilares centrais do fórum será a comunicação de risco inteligente. Especialistas e gestores públicos vão debater como os meios de comunicação e os agentes locais podem traduzir dados técnicos complexos em mensagens claras, diretas e que gerem mobilização imediata, sem provocar pânico ou alarmismo desnecessário. A meta é garantir que a população compreenda perfeitamente o nível de gravidade da ameaça e confie nos canais oficiais. Como resultado prático dessas discussões, o encerramento do evento contará com a consolidação da Carta de Tubarão, documento que proporá diretrizes estaduais inéditas para aprimorar a comunicação de emergência e o fluxo de informações em Santa Catarina.
O fórum também dedicará painéis exclusivos para alinhar o trabalho de campo das prefeituras, desenhando um plano de ação integrado para momentos de crise. Quando um alerta é emitido, a resposta precisa ser imediata em todas as esferas. Pelo lado da gestão pública municipal, isso envolve a ativação imediata dos sistemas de alerta precoce, como sirenes e SMS, a evacuação preventiva de áreas de alta vulnerabilidade previamente mapeadas, a abertura de abrigos estruturados e a coordenação das equipes de socorro em tempo real. Paralelamente, a população local precisa fortalecer sua cultura de autoproteção. O cidadão deve conhecer com antecedência suas rotas de fuga, acompanhar os canais oficiais da Defesa Civil, manter kits de emergência e documentos organizados e, fundamentalmente, respeitar as ordens de evacuação das autoridades ao primeiro sinal de risco.
Para estruturar essas estratégias de mitigação de impactos, o fórum reunirá técnicos e pesquisadores de algumas das principais instituições climáticas e de segurança do país. Estão confirmados representantes do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, que atua no monitoramento nacional, e da Epagri/Ciram, autoridade em previsão do tempo em Santa Catarina. A Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil coordenará os debates sobre a resposta estadual, enquanto pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina e da Universidade Estadual de Campinas trarão a bagagem da pesquisa acadêmica de ponta sobre clima, geografia e gestão de vulnerabilidades sociais.
O Fórum de Proteção e Defesa Civil da FECAM conta com o apoio da Associação de Municípios da Região de Laguna e da Prefeitura de Tubarão. As inscrições são inteiramente gratuitas e podem ser realizadas diretamente na página oficial do evento na plataforma Sympla, acessível aqui .
Programação*
DIA 1
- 8h – Café de boas-vindas e Credenciamento
- 9h – Abertura institucional
- 10h– Palestra de Abertura: Evolução dos sistemas de alerta precoce: de Bonn (AL) a Sendai(JP)
Mediador: Fábio Kaiser
Palestrante: Pesquisadora Silvia Saito (CEMADEN) – confirmada
- 11h – Sessão de Perguntas
- 12h– Almoço
- 13h30 – Palestra 2: Quando o alerta perde força: desastres, vulnerabilidades e desafios da comunicação de risco em Santa Catarina
Mediador: José Antônio Vasques
Palestrante: Dra. Cibele Lima (Pesq. Colab. UNICAMP e Consultora UNESCO)
- 14h– Sessão de Perguntas
- 14h15 – Palestra 3: Furacão Catarina e a arte de comunicar o risco sem gerar pânico
Mediador: Fábio Melere
Palestrante: Cel. Márcio Alves (CASAN)
- 14h45 – Sessão de Perguntas
- 15h– Coffee Break
- 15h15 – Mesa de Debate 1: A comunicação salva vidas? O papel da mídia e os limites entre previsão, alerta, risco e alarmismo.
Mediador: Jeferson da Silva
Palestrantes: 1. Prof Aureo M.de Moraes (UFSC)
2. Douglas Márcio (NSC)
3. Profa Regina Zandomênico (Univ. Estácio de Sá)
- 16h45 – Sessão de Perguntas
DIA 2
- 9h – Palestra 5: Integração entre monitoramento e as ações municipais
Mediador: Luciano Peri
Palestrante: Frederico de Moraes Rudorff (SPDC – Gerente de Monitoramento e Alerta)
- 9h30 – Sessão de Perguntas
- 9h45 – Coffee Break
- 10h- Mesa de Debate 2: El Niño 2026: desafios da comunicação e estratégias para mitigação de impactos
Mediador: Sergio Eloy Bisotto
Palestrantes: 1. Felipe Raphael Theodorovitz Mendoza (Meteorologista SPDC)
2. Gilsânia Cruz (meteorologista EPAGRI/CIRAM)
3. Mídias Digitais: Carol Macario (LUPA e ACI SC)
- 11h30 – Sessão de Perguntas
- 11h45 – Almoço
- 13h30 – Palestra 6: Preparação regional em Proteção e Defesa Civil e o Projeto Nowcasting Rede Colaborativa SC (CIM-AMFRI)
Mediador: Alfredo Anselmo Gomes
Palestrantes: Jaylon Cordeiro da Silva (diretor executivo CIM-AMFRI) e Miro Lima (meteoblue do Brasil)
- 13h30 – Sessão de Perguntas
- 13h45 – Mesa de Debate 3: Desafios municipais na comunicação de alertas e na resposta da população
Mediador: Cilene Bachmann Nogareti
Debatedores: 1. Regina Panceri (SPDC Gerente de Educação e Pesquisa)
2. Gisele Dias (jornalista da CIRAM/EPAGRI)
3. Cord. Sérgio E. Bisotto
- 15h- Debate aberto com os participantes
- 15:h30 – Mesa de Debate Final: Construção de diretrizes estaduais para comunicação e alerta
Consolidação das discussões técnicas dos especialistas, recomendações e contribuições para elaboração da Carta de Tubarão.
- 16h30 – Encerramento
- 17h- Café de Encerramento
Fonte: Fecam
Foto: Arquivo/PMT











