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Site de extremista brasiliense deu dicas a autores de massacre em Suzano

Página era comandada por Marcelo Mello até maio de 2018, quando policiais federais o prenderam. Mas o site continua ativo

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Publicado por Repórter Sul em 14/03/19 13h22
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Site de extremista brasiliense deu dicas a autores de massacre em SuzanoFoto: Divulgação

Os autores do massacre em uma escola de Suzano (SP) receberam dicas de um extremista brasiliense. Guilherme Taucci Monteiro, 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, 25, atiradores que mataram oito pessoas e depois se suicidaram na Escola Estadual Raul Brasil, na Região Metropolitana de São Paulo, usaram o Dogolachan, maior fórum de propagação de ódio na internet brasileira, para juntar dicas e fazer planos para o ataque.

A página foi criada por Marcelo Valle Silveira Mello, condenado por racismo, coação, associação criminosa, incitação ao cometimentos de crimes, divulgação de imagens de pedofilia e terrorismo cometidos na internet. Entre outros, ele havia anunciado um atentado na Universidade de Brasília (UnB) e feito ameaças a uma professora da instituição.

O Dogolachan só é acessível na dark net, conhecido por ser um espaço para debate sobre prática de crimes, violação de direitos humanos, propagação de racismo, homofobia e misoginia. Nesta quinta-feira (13/3), após o atentado em Suzano, integrantes do fórum celebraram os assassinatos no interior de São Paulo, incitando mais ações como essa.

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Uma semana antes, um dos atiradores publicou um agradecimento ao administrador do fórum, conhecido como DPR. "Muito obrigado pelos conselhos e orientações, DPR. Esperamos do fundo dos nossos corações não cometer esse ato em vão. (...) Nascemos falhos, mas partiremos como heróis. (...) Ficamos espantados com a qualidade, digna de filmes de Hollywood", diz a mensagem.

Um tópico com as dicas pedidas pelos atiradores enquanto planejavam o massacre foi classificado como secreto por DPR, que mudou sua URL para não ser achado em futuras investigações de autoridades, revelou o portal de notícias R7.

O administrador deu detalhes de como ajudou os dois atiradores a conseguirem armas, além de descrever Guilherme como um "um bom garoto que acabou descobrindo da pior forma possível que brincadeiras podem ser tornar pesadelos reais".

Segundo o mesmo texto de DPR, o "Luiz entrou em contato para buscar um canal onde ele obtivesse fácil acesso a um revolver calibre 22", e logo depois lhe apresentou Guilherme. Ele encerra a publicação afirmando que as conversas foram deletadas e jamais irá revelar o teor exato delas.

Mais tarde, DPR, o administrador, descreveu trocas de e-mails com Luiz, que teria interesse em comprar uma arma com facilidade, e que também foi apresentado à Guilherme por Luiz. Segundo o administrador, Luiz era conhecido no fórum como "luhkrcher666", e Guilherme como "1guY-55chaN". DPR diz ainda que cortou o contato com Luiz por e-mail pois ele deixava muitos "rastros" digitais, que facilitariam a identificação de todos os membros.

Por fim, DPR diz que Luiz era um "rapaz injustiçado", enquanto Guilherme, era "inocente a ponto de transparecer sua natureza completamente infantil". Ele afirma que todas as conversas foram deletadas e jamais irá revelar o teor exato delas.

Prisões e condenações
O brasiliense Marcelo Valle Silveira Mello, também conhecido como Psy ou Batoré, criou o Dogolachan em 2013 . Mello é conhecido por crimes de ódio e foi a primeira pessoa condenada pela Justiça do Brasil por crime de racismo na internet, em 2009. Ele se posicionou contra as cotas raciais de maneira preconceituosa e foi condenado a um ano e dois meses de prisão.

O site era comandado por Marcelo Mello até maio de 2018, quando policiais federais o prenderam na Operação Bravata. Desde então, DPR se tornou o administrador principal e tornou o fórum ainda mais sigiloso. O Dogolachan está ligado também ao Massacre de Realengo, onde Wellington Menezes de Oliveira — considerado um herói no fórum — matou 12 crianças, antes de se matar.

Ex-aluno da Universidade de Brasília (UnB), Marcelo Valle Silveira Mello foi condenado a 41 anos, seis meses e 20 dias por racismo, coação, associação criminosa, incitação ao cometimentos de crimes, divulgação de imagens de pedofilia e terrorismo cometidos na internet.

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A decisão do juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, proferida em dezembro de 2018, também o condena à reparação de danos no valor de R$ 1 milhão e ao pagamento de 678 dias-multa (no valor de um décimo de salário mínimo de dezembro de 2016). Segundo a sentença, a indenização será destinada a programas educativos da área e programas de combate aos crimes cibernéticos.

Marcelo Mello, de acordo com a sentença, também costumava denunciar às autoridades postagens anônimas produzidas por ele mesmo, a fim de tentar de manter longe de suspeitas.

Segundo o magistrado, a periculosidade de Marcelo Mello é "inequívoca": solto, ele pode ser uma "verdadeira ameaça à ordem social". "Não só na condição de autor de delitos como divulgação de imagens de pedofilia, racismo e líder de associação criminosa virtual, mas também como grande incentivador de cometimento de crimes ainda mais graves por parte de terceiros, como homicídios, feminicídios e terrorismo", completou o juiz.

O magistrado afirmou, ao fixar a reparação de danos, que, mesmo condenado uma vez, Marcelo Mello voltou a praticar crimes semelhantes e que apenas a pena corporal "não é suficiente".

Ameaças na UnB
Em março de 2012, Marcelo foi detido por planejar uma chacina contra estudantes do curso de ciências sociais da UnB. Durante buscas realizadas em Brasília e em Curitiba, os policiais encontraram um mapa apontando uma casa de festas frequentada pelos universitários no Lago Sul. Local onde, segundo a PF, poderia ocorrer a matança.

Por esses crimes, ele havia sido condenado a seis anos e sete meses de prisão em regime semiaberto. A Justiça do Paraná entendeu que ele havia praticado os crimes de indução à discriminação ou preconceito de raça; incitação à prática de crime; e publicação de vídeos e fotografias de crianças e adolescentes em cenas de sexo.

Marcelo Mello ficou detido por um ano e seis meses no Paraná, ganhou o direito de cumprir pena em liberdade e voltou a criar páginas com conteúdo racista e discriminatório na internet. Ele também é o autor de um blog misógino que incitava crimes de violência sexual, física, psicológica e moral contra mulheres na UnB.

Em 2017, uma conta de e-mail com o nome Marcelo Valle Silveira Mello enviou mensagens ameaçando de morte o apresentador e jornalista Fernando Oliveira, mais conhecido como Fefito. O motivo do ataque seria homofobia.

Correio Braziliense

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