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Estudos comprovam chuva ácida na região

Diferentes estudos realizados nos últimos 20 anos mostraram que a região de Tubarão é propícia para a ocorrência de chuva ácida.

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Publicado por Repórter Sul em 14/11/18 08h36
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Estudos comprovam chuva ácida na regiãoFoto: Divulgação / Diário do Sul

Diferentes estudos realizados nos últimos 20 anos mostraram que a região de Tubarão é propícia para a ocorrência de chuva ácida. As precipitações com um número abaixo do pH considerado ideal e inofensivo podem provocar danos à natureza e à saúde. Atualmente, a cidade não conta com nenhum tipo de aferição da qualidade da chuva. 

Entre os estudos realizados sobre o tema está o do professor Henrique de Melo Lisboa, engenheiro civil especialista em Hidrologia, com doutorado em poluição atmosférica e pós-doutorado em odores. Em um trabalho realizado para o XIV Congresso Brasileiro de Meteorologia, de 2006, Henrique apresentou dados que comprovaram a presença de chuva ácida em Tubarão entre os meses de fevereiro e novembro de 2005. 

Nesse período, o Laboratório de Controle e Qualidade do Ar da Universidade Federal de Santa Catarina (LCQAR/Ufsc) realizou uma pesquisa para analisar a qualidade das águas de chuva em quatro municípios de Santa Catarina, entre eles a Cidade Azul. A pesquisa foi a extensão de um trabalho realizado anteriormente, entre 1990 e 1992. As estações foram monitoradas por moradores voluntários dos locais em estudo, motivados pelo interesse no desenvolvimento da pesquisa. Eles receberam treinamento e orientações para que pudessem participar do projeto. 

As águas de chuva apresentaram, na maioria dos casos registrados, valores de pH inferiores a 5,65, indicando características de chuvas ácidas. Entre os municípios pesquisados, Tubarão foi a região em que foram encontradas as maiores concentrações de metais pesados.


Região está mais sujeita às emissões ácidas

Estudo parecido também foi tema de uma dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental da Ufsc, em 2008, por Renata Fátima Martins. A pesquisa, realizada entre agosto e novembro de 2006, em Tubarão, mostrou que mais de 94% das medidas de pH de todas as parcelas de chuva coletadas apresentaram o pH menor que 5,70. O trabalho ainda diz que este dado comprova “como realmente esta região (de Tubarão) está mais sujeita às emissões ácidas”. Segundo a autora do estudo, Tubarão foi escolhida por conta da proximidade com a termoelétrica e as olarias. 

Rafael Marques, que já foi secretário de Defesa Civil de Tubarão, também fez pesquisas referentes à chuva ácida na cidade, em 2010, numa dissertação submetida ao curso de mestrado em Geografia, da Ufsc. O trabalho também trouxe a constatação da ocorrência de chuva ácida em Tubarão, que demonstrava, na época, a existência de aerossóis ácidos, provavelmente óxidos de nitrogênio e enxofre (poluição). 

“Coincidentemente, Tubarão é a localidade com maior incremento de chuva entre as cidades estudadas, podendo contribuir o fato de abranger a maior população, o maior número de veículos e de ser instalada próxima a atividades que utilizam carvão como combustível. A acidez dessa chuva pode ser de várias fontes: dos escapamentos dos veículos automotores, da usina termelétrica movida a carvão, das olarias, da marinha, das atividades industriais e das agropastoris em geral”, aponta o texto da dissertação.


O que é a chuva ácida

À medida que ocorre precipitações, a chuva absorve parte do ar atmosférico, acarretando na mudança do pH. É através do pH que é possível determinar se a água é ácida, básica ou neutra. 

Pesquisas comprovam que os óxidos de enxofre e de nitrogênio são os principais componentes da chuva ácida. Esses compostos são liberados na atmosfera através da queima de combustíveis fósseis, como o carvão mineral. Ao reagirem com as gotas de água da atmosfera, formam o ácido sulfúrico e o ácido nítrico (HNO3). Juntos, esses dois ácidos provocam o aumento da acidez da água da chuva.

Na presença desses ácidos, o pH da água da chuva pode chegar entre 4 a 2, valores extremamente ácidos. As atividades humanas são as principais responsáveis por esse fenômeno, que também pode ser formado por causas naturais, como na liberação de gases durante a erupção de um vulcão – o que não faz parte da realidade da nossa região.

 


Aferição da chuva não é feita na cidade

Representantes do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), órgão que substitui a Fundação de Meio Ambiente (Fatma) no Estado, afirmaram que Tubarão não conta hoje com a aferição da qualidade da chuva, apenas da qualidade do ar. E esse estudo é feito diretamente pela Engie Tractebel Energia – considerada a maior geradora privada de energia do Brasil -, e em uma estação de monitoramento operada pela Unisul.

Segundo o gerente de meio ambiente da Engie, José Lourival Magri, a empresa possui três estações de monitoramento da qualidade do ar na região de influência do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, localizadas nos bairros Vila Moema e São Martinho, em Tubarão, e no Centro de Capivari de Baixo. As estações analisam de forma contínua, 24 horas por dia, os parâmetros de material particulado total (PTS), partículas inaláveis (com diâmetro inferior a 10 mícrons), ozônio, dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio. Além disso, a Estação Vila Moema conta também com medidores de partículas inaláveis abaixo de 2,5 mícrons e monóxido de carbono.

“Todos esses estudos seguem as normas e regulamentações da legislação brasileira emitidas pelo Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) e normas da agência ambiental americana. Além do monitoramento através dos equipamentos automáticos, também é realizado monitoramento de poeiras sedimentáveis, com coleta nas três estações de qualidade do ar e na sede da regional do IMA de Tubarão. A Engie encaminha relatórios semestrais ao instituto, disponibilizados online para todos. Os mesmos relatórios são enviados às Câmaras de Vereadores das cidades de Tubarão e Capivari de Baixo, prefeitura de Tubarão, bem como ao Ministério Público Estadual de Capivari de Baixo”, explica José Lourival.


Ar dentro dos padrões estabelecidos

Ainda de acordo com o gerente de meio ambiente da Engie, José Lourival Magri, o histórico dos parâmetros monitorados, tanto por meio das estações da Engie, quanto pela nova estação da Unisul, mostra que a qualidade do ar na região encontra-se dentro dos padrões estabelecidos na Resolução Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). A mesma informação foi confirmada pelo engenheiro químico da IMA, Rudemar Silveira da Cunha. “Nos últimos anos, os padrões de qualidade do ar que estamos observando são os melhores já vistos na cidade. Isso é notório”, revela. 

Questionado se a Engie realiza alguma pesquisa sobre a qualidade da água da chuva, José Lourival explicou que um amplo estudo da qualidade da água da chuva já foi realizado, iniciado num projeto com o governo do Japão, entre 1995 e 1997. Os resultados não teriam indicado anormalidades na acidez. Atualmente, esse monitoramento está suspenso.

 

Riscos à saúde e ao meio ambiente

No Brasil, a cada 100 mil crianças de até cinco anos, 41 morrem em decorrência de alguma modalidade de poluição, segundo a Organização Mundial de Saúde. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) alerta que a mortalidade de crianças de menos de cinco anos pode aumentar 50% até 2050, como resultado da poluição do ar.

Para a natureza, as consequências da chuva ácida são a destruição da cobertura vegetal, acidificação dos solos e das águas de rios e lagos. A chuva ácida também pode causar a corrosão de mármores e calcários e a oxidação de metais em monumentos históricos, como prédios e estátuas.

A chuva ácida libera metais tóxicos. Esses metais podem alcançar rios e serem utilizados pelo homem causando sérios problemas de saúde. A ingestão de água potável acidificada, por longos períodos, pode causar as doenças de Parkinson e de Alzheimer, a hipertensão, problemas renais e, principalmente em crianças, danos ao cérebro. Estima-se que nos EUA a chuva ácida é a terceira maior causa de doenças pulmonares.

Reportagem do Diário do Sul

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