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Prisões por embriaguez ao volante caem 31% em Santa Catarina



Prisões por embriaguez ao volante caem 31% em Santa Catarina
Foto: Diorgenes Pandini / Diario Catarinense

Mudança de cultura, receio da punição com multa elevada e redução do efetivo. Esses são os fatores elencados pelos especialistas ouvidos pelo Diário Catarinense para justificar a redução de prisões por embriaguez ao volante em rodovias federais e estaduais de Santa Catarina. Nos últimos dois anos, o número de motoristas detidos reduziu 31,9% (de 1.215 em 2015 para 827 em 2017). Os dados levam em conta as prisões feitas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Polícia Militar Rodoviária (PMRv).

O número de autuações por embriaguez (quando o motorista se recusa a fazer o teste do bafômetro e apresenta alteração dos sinais vitais) e de testes feitos apenas pela PRF também reduziram 18 e 17% respectivamente.

Um dos casos mais recente de repercussão ocorreu no dia 20 de dezembro e envolveu o ex-deputado federal João Pizzolatti. Ele bateu o veículo dele, um Volvo X60, contra um Fiat Mobi. O acidente ocorreu na SC-421, no Vale do Itajaí. O motorista do Fiat sofreu queimaduras graves, pois o carro pegou fogo. A vítima, Paulo MarceloSantos, 23 anos, continua internada na ala de queimados do Hospital Municipal São José, em Joinville.

Pizzolatti foi autuado por embriaguez ao volante. A PMRv não fez o teste do bafômetro, mas preencheu um auto de constatação dos sinais. O advogado que responde pelo político, Michel Saliba, chegou a confirmar que Pizzolatti tem problemas com álcool e que ele foi internado em uma clínica de recuperação após o episódio.

Comportamento cultural em processo de transformação

Para o chefe da seção de policiamento e fiscalização da PRF em SC, inspetor Everson Feuser, dirigir embriagado é um comportamento que está inserido na cultura brasileira, mas que pode estar em transformação. Ele acredita que a consciência sobre os riscos tende a crescer da mesma forma como ocorreu com o cinto de segurança, que já foi pouco usado pelos condutores.

Os novos meios de locomoção por aplicativo também contribuíram para a redução, na avaliação dele. Apesar disso, o inspetor admite que há carência no efetivo, mas que o problema é histórico e não corresponde apenas aos últimos dois anos.

— Ano após ano está se criando uma cultura de que isso é errado. Hoje, o cidadão tende a agir mais em razão de um comportamento pessoal de ética do que pelo medo de ser autuado. Claro que, se tivesse incremento (de efetivo), a PRF estaria promovendo ainda mais fiscalizações — avaliou Feuser.

Já o presidente do sindicato da categoria, Paulo Sérgio Machado, afirma que a diminuição de autuações tem relação com a redução de efetivo. Segundo o sindicalista, o efetivo de 420 PRFs em SC precisaria aumentar em 50% para dar conta dos 27 postos nas rodovias federais.

— Em vez de ter quatro ou cinco policiais em um posto, ficam dois ou três. Isso reflete na falta de policiamento ostensivo e fiscalização. A gente está perdendo a função principal da PRF, o policial acaba atuando depois que o fato acontece — destacou Machado.

Segundo o tenente-coronel Fabio Martins, responsável pela comunicação da PMRv, embora o número de autuações tenha reduzido, o percentual é considerado alto uma vez que o número de motoristas fiscalizados corresponde a 5% do total de veículos que passam pelas estradas. O dado é uma média feita pela PMRv apenas em rodovias estaduais. O tenente-coronel não quis falar sobre o efetivo da corporação.

— Se for analisar isso, há um percentual grande de pessoas dirigindo alcoolizadas. Pela campanha que é feita (para conscientizar), o número (de presos por embriaguez) deveria ser menor. Ainda temos essa prática de dirigir embriagado inserida na sociedade.

Por Diário Catarinense