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Polvos feitos de crochê ajudam bebês prematuros em SC, entenda!



Polvos feitos de crochê ajudam bebês prematuros em SC, entenda!
Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

Um projeto dinamarquês está ajudando bebês prematuros a se sentirem mais seguros e calmos nas incubadoras das Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) de Santa Catarina. Tratam-se de polvos de crochê feitos por voluntárias e doados aos hospitais, onde são esterilizados e destinados aos recém-nascidos. Já há registro da utilização do objeto em pelo menos seis unidades de saúde de quatro cidades catarinenses: Florianópolis, Blumenau, Criciúma e São José.

Ainda não há comprovação científica de que os polvos de crochê acalmem os bebês, mas Lissandra Andujar, neonatologista pediátrica da Maternidade Carmela Dutra, de Florianópolis, explica que é um projeto de humanização na tentativa de que o recém-nascido tenha uma vida mais próxima da que ele tinha dentro do útero, apesar de todo o ambiente da unidade de tratamento intensivo.

– Os bebês prematuros sobrevivem cada vez mais, mesmo nascendo mais cedo, já que houve um desenvolvimento tecnológico muito grande. Depois, percebemos que era necessário evoluir na parte humana também. Hoje há todo um processo que começa com os recém-nascidos indo para o colo das mães assim que estão estáveis. Na incubadora, também existem alguns rolinhos para que o bebê fique mais acomodado e, dentro desse contexto, entram os polvos – explica.

Lissandra conta que o conceito do polvo de crochê surgiu na Dinamarca, para que, teoricamente, o bebê identificasse nos tentáculos o cordão umbilical da mãe. Ela explica que os recém-nascidos demonstram momentos de maior relaxamento quando estão em contato com o objeto.

– O bebê acaba se envolvendo inteiro nesses tentáculos, ele passa a mão e abraça. Eles ficam mais calmos, conseguem ter maior período de sono e a frequência cardíaca diminui, sinal de tranquilidade – diz.

A médica esclarece que todos os polvos recebidos na maternidade são esterilizados antes de serem entregues aos bebês, excluindo o risco de infecções hospitalares. Os funcionários da maternidade se mobilizam para arrecadar material para a confecção dos objetos, que também podem ser doados voluntários.

Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

Iniciativa forma rede de solidariedade 

Rosinéa Neves, 40, artesã de Ponta das Canas, no Norte da Ilha de Santa Catarina, é uma das voluntárias. Após conhecer a iniciativa e aprender a tricotar polvos por meio de vídeos na internet, ela criou o Projeto Octo. No último sábado, organizou um encontro com outras 13 voluntárias, que pretendem se reunir semanalmente para confecção:

– Queremos que o projeto se espalhe por todo o Estado, temos a intenção de enviar para Itajaí, Araranguá e Joinville. É uma emoção ver que um pouquinho do que a gente faz pode melhorar muito a saúde de um bebê. A mãe de um dos recém-nascidos me enviou uma foto do filho abraçado com o polvo e isso foi muito importante. É um trabalho voluntário maravilhoso, não existe retorno financeiro que se compare com a gratidão e o amor que a gente recebe — conta.

Como já trabalhava com crochê, a artesã utilizou o próprio material para confecção das primeiras peças, mas quando a demanda aumentou, pediu auxílio aos conhecidos, que prontamente doaram mais linhas para a causa.

– Com um rolo de linha é possível fazer quatro polvos, então, se as pessoas querem colaborar, mas não sabem fazer crochê, elas podem se juntar a essa corrente de solidariedade através da doação.

Em Blumenau, os polvos são feitos por 16 artesãs do projeto Agulhas do Bem, que se encontram semanalmente para elaborar ações solidárias. A primeira remessa, com 31 polvos, foi entregue ao Hospital Santa Catarina na última quinta-feira.

A iniciativa é uma parceria entre o grupo de artesãs, uma fábrica de linhas da cidade e do Hospital Santa Catarina, que doa a fibra utilizada para preencher os polvos. Serão cerca de 20 polvos por mês, para atender o fluxo de bebês prematuros que passam pela UTI do Hospital.